CULTURA DE PAZ É OUSADIA!

por Lúcia Pacheco

A expressão, para o artista, é um alimento necessário. Sem ela, ele não se encontra e não se realiza. Ela pode se dar de muitas formas, através de tantas e tantas possibilidades, cada um a seu jeito... mas precisa acontecer.


Assim como todos os outros, eu também precisei encontrar o meu caminho de expressão. O fiz através da escrita e do teatro e um pouco através da música, mas o caminho que mais rapidamente me levava à percepção e compreensão de “tudo”... sempre foi a dança. Precisava dançar... comigo mesma... livremente... desde criança. Persegui, então, a dança “que se aprende” em diversas
modalidades – desde o clássico ao contemporâneo – e me senti realmente “em casa” com a dança expressiva.


E então, conheci as Danças Circulares e compreendi sua incrível contribuição. Por ser uma forma de dança inclusiva, fácil, acessível e de caráter cooperativo, ela ocupou um espaço precioso no rol das modalidades de dança... ela convida a dançar, aposenta o palco e compartilha o prazer de dançar com aqueles que formariam a plateia... trata-se de uma forma democrática, de expressão do coletivo. E, por acontecer através da presença e participação real do coletivo, torna-se um ambiente maravilhoso para a proposta da Cultura de Paz. Tirando o coletivo do papel de espectador e o convocando para o protagonismo, gera um campo fértil para o Encontro, para a Troca, para a Sinergia, para a Cooperação, para a criação coletiva de uma nova forma de relacionamento. E, nesse campo no qual tudo pode acontecer, se estivermos repletos de amor e de coragem, podemos plantar as sementes da confiança, da acolhida, da aceitação das diferenças, do respeito, da expressão dos potenciais individuais em prol do desenvolvimento do coletivo. Podemos ter a ousadia de falar em evolução, em propósito, em escolhas conscientes, em PAZ.


Fazer essa escolha, para mim, foi uma benção e me levou a uma alegria interna jamais alcançada nos tempos em que o palco era necessário. Fui muito feliz nos tempos da escrita e da dramaturgia, dos ensaios e apresentações nos Festivais de Teatro, das apresentações do Cantolivre, das oficinas de teatro e expressão corporal, das apresentações e tournées com minhas equipes pelas empresas nos vários recantos do Brasil... muito feliz de tantas formas! Mas... oferecer meu dom em prol da Cultura de Paz e Bem... me trouxe algo que vai além de mim. Esse caminho requer uma escolha de uma forma positiva de ver a Vida e os acontecimentos. Uma forma esperançosa, forte na certeza de que tudo se encaminha para o MELHOR. É preciso se tornar um observador que acredita no acerto do observado, que confia e respeita. É preciso abandonar o olhar cético, crítico e pessimista e se negar a gastar tempo e energia com o que não agrega para o Bem de Todos. É preciso deixar de alimentar o ego para fortalecer o Nós! É ousadia. A verdadeira Cultura de Paz é ato de ousadia em tempos de tamanha e tão generalizada descrença. Quando se faz a escolha de se expressar colocando-se a serviço da Cultura de Paz, é preciso ser capaz de remar confiante, à procura daqueles que trazem seu próprio remo e sobem no barco e levantam as velas e zingram, juntos, os grandes mares... construindo uma nova realidade.

E foi assim, exatamente assim, que nasceu o Dançando pela TERRA. Nasceu no topo da Pedra Grande, em Atibaia, com a missão de unir pessoas para dançar, vibrar paz, amor e alegria a fim de qualificar e purificar a energia dos participantes e do entorno. Dançar para dissolver a solidão, o medo de errar, a descrença, o autoabandono, a falta de confiança e o desamor. Simples assim. Desde janeiro de 2015, o Movimento realizou Rodas Itinerantes em diversos lugares e cidades brasileiras e também em Portugal e na Irlanda, Grandes Rodas em Atibaia (unindo até 800 pessoas para dançar), Rodas Abertas Mensais em Atibaia, São Paulo, Bragança e Piracaia, Rodas Abertas quadrimestrais no Rio de Janeiro e também lançou o Bloco de Carnaval em Atibaia para propor a realização de uma Folia da Paz.


Somos uma família de “remadores” e unimos talentos, pela Paz e Bem de nós mesmos e de Todos!
Todos queremos Paz! Todos precisamos de Paz! Para nós, não faz sentido gastar tempo e energia com o contrário. Abraçamos a ousadia e seguimos!

Para conhecer melhor a nossa proposta, visite www.dancandopelaterra.com
Com gratidão e alegria