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Atibaia, 355 anos!

O Som da Terra (Uma homenagem à Atibaia)


Pedra Grande - Foto: Juliana Reis

Hoje é um dia muito especial, Atibaia comemora 355 anos.

ArtesCulturaSP, recebeu da poetisa e amiga colaborada, Catia Regina Messias uma poesia que retrata muito bem as belezas desta terra.


As fotos que ilustram essa matéria são das colaboradoras: Juliana Reis e Carla Natal






O Som da Terra (Uma homenagem à Atibaia)


Aqui trabalha o negro e o italiano imigrante.

Flores na terra!

E lá no céu a pedra grande é mais gigante.

O ávido morango não permite o descanso

do semeador japonês

sabor de contentamento

que garante o sustento

apesar da acidez.

O empolgado feirante

num só instante

garantiu todo o mês:

“– Tenho morango médio e grande

de um vermelho constante!”

Seduziu o freguês.

E lá na praça quanta graça!

A congada batucando outra vez.

Aqui tem capoeira de angola à regional,

palmas, agogô e berimbau,

unindo as nossas crianças

no cordão da esperança

de uma herança cultural.

E para aquele que alcançou a sabedoria,

ser feliz é prioridade, é compromisso.

Sábado tem o baile da saudade

para a terceira idade lá no Recreativo.

Reza o rosário na Igreja da Matriz.

Em coro no coreto canto feliz!

O sentimento eu garanto,

instrumento e poesia... um acalanto!

Há tanta festa, até o inverno é festival!

Voz de mulher na dobrada cultural.

E numa noite ilustrada suspira a namoradeira.

E se a paixão não for verdadeira?

E se ninguém a acode?

Da forma costumeira,

poderosa e ligeira

aquela poeira... Sacode!

O som de raiz toca o coração e a viola,

o talento dessa gente não tem hora!

Vi minha FAMA desfilando numa escola.


Num enredo que pede passagem,

Atibaia foi à homenagem.

por ter essa gente guerreira,

que se alimenta da própria fé

de Atibaia ao Tatuapé.

A cavalhada em devoção faz romaria,

desde a partida louvores sem pressa,

pagando promessa à Nossa Senhora Aparecida.

Assustou-me o mistério,

bem perto do cemitério,

tanta gente pintada daquela maneira!

Alguém com uma foice na mão clareou a intenção:

“ – fantasiar-se de escuridão faz parte da diversão do bloco do caveira”.

E a família animada na jornada mais festeira,

agita o bloco de um tal de Zé Pereira.

Em meio à multidão tem mais um bonecão

fazendo arte tão arteira!

Aqui a alegria é coisa séria.

Ninguém tá de brincadeira.

Numa folia sem igual, finda o carnaval

na mesma quarta-feira.

E, no ano inteiro, Atibaia é celeiro de artista.

Frutos da terra da tradição que é vanguardista.

Nihongo e Taiko quem me dera!

Harmoniosa mistura que enriquece a cultura

do som dessa terra.

A sua voz é trovão

afinada extensão.

Se orgulha do altíssimo o pai!

Deste pedaço de chão

ecoa a canção

num dom peculiar.

Para celebrar o momento

no refrão eu me rendo.

O talento é demais!

Seu cantar é divino!

Vitorioso destino!

Meu menino Altemar.

Na contramão durante a fundação,

a marcha do progresso foi retrocesso.

Feridas da escravidão despertavam na calada da noite,

os gemidos de açoite a mando do cruel Sinhozinho.

Há mais um grito de dor revelando o horror


sob a luz do pelourinho.

Já que fiz alusão à injusta atribulação,

eu peço perdão como uma menção do meu carinho,

à essa gente de bela cor

que para provar seu valor

foi mais duro o caminho.

Hoje teu solo é deleite

para aquele que aqui vier.

Em teu seio o bom fruto,

o teu colo é escudo

Tal qual sagrada mulher.

Atibaia uma cidade do interior

que colore de flor um imenso pais.

E, nesta vida que segue,

que ela te entregue

o que te faça feliz.

Autoria: Cátia Messias



Congada Verde de Atibaia - Foto: Carla Natal

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