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Benzeção, benzedura e benzimento nosso patrimônio cultural imaterial

Misto de religiosidade e magia, a benzeção é uma prática que hoje tem cada vez menos adeptos. Na cultura popular, ela é considerada uma forma de promover cura de doenças em pessoas e animais, seguindo rituais específicos para cada mal. O ato de benzer, também chamado de “rezar”, ainda pode ser utilizado para levar bem-estar a um lugar. Atualmente é praticado geralmente por pessoas mais velhas, que aprenderam a prática com suas mães e avós.



Antônio Henrique Weitzel estuda cultura popular desde 1963 Em seu livro “Magia, religiosidade e superstição na cultura popular” ele reuniu materiais sobre o procedimento, rituais, palavras e gestos envolvidos nas benzeções, como o sinal da cruz. Além disso, também listou mais de 30 plantas com fins terapêuticos.

Na obra, ele descreveu os benzedeiros como “pessoas simples dedicadas à caridade para com os doentes e necessitados de ajuda”, afirmando que eles são respeitados por praticarem o bem com desinteresse, não visando a nenhum benefício próprio. Geralmente, eles fazem jejum e são devotos da igreja. Segundo o estudioso, o benzedor não pode receber remuneração pelo trabalho, senão o mal retorna para o corpo de quem foi benzido, baseado no princípio “o que é recebido de graça, foi dado de graça”.

Ele apontou ainda que a benzeção não pode ser realizada por qualquer pessoa. É preciso que a pessoa tenha fé, carisma e disposição para praticar. Além disso, o poder de benzeção tem que ser recebido de um benzedor, que pode passá-lo para os filhos ou vizinhos.

Entretanto, nem todas as doenças são passíveis de benzeção, segundo relato em seu livro. “Enfermidades muito graves não têm fórmula de cura pelo povo”. No entanto, o pesquisador acredita que a fé é o elemento essencial para o benzimento. “A cultura vulgar não se preocupa com a causa, mas com o resultado”.


Fonte: G1 Zona da Mata

Foto: Nathalie Guimarães/G1

Vídeo:Iphangovbr

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