REVISITANDO O CINEMA NACIONAL

Quem aqui acompanha os textos sabe que tenho uma abertura especial quanto as produções nacionais de cinema, vide aquilo que já escrevi, por exemplo, sobre o sucesso “Bacurau”.

Também neste espaço já deixei minhas impressões sobre a obra do cineasta José Mojica Marins, conhecido pelo personagem Zé do Caixão (em face à sua morte, no presente 2020).

O cinema nacional não é, não foi, e não será um “cinema marginal” – por mais que durante pelo menos quase duas décadas ele fosse considerado, no senso comum, algo quase estrangeiro (por mais paradoxal que isso possa parecer).

Em tempos de resguardo, quarentena necessária, a cultura tem sido um refúgio psicológico e intelectual (algo que também já foi dito neste espaço). E assim, quero compartilhar com os leitores a experiência, via youtube em especial, de revisitar algumas obras que considero paradigmáticas de nossa produção nacional, sobretudo nas décadas de 1970 e 1980 (tempos difíceis, e interessantes do cinema nacional).

Inicialmente vou deixar aqui os links para que também assistam os filmes, todos localizados na plataforma do YouTube:

Bonitinha mas ordinária https://www.youtube.com/watch?v=0leHe6zIC4U

Ópera do Malandro https://www.youtube.com/watch?v=q-KT_pE2-rY

A Dama do Lotação https://www.youtube.com/watch?v=Hr1FzyDlUxo

Dona Flor e seus dois maridos https://www.youtube.com/watch?v=mbUiHUwQhcE

Não vou estragar a experiência de ninguém e ficar falando detalhes, spoilers, dos filmes, mas quero pelo menos justificar um pouco estas escolhas.

Bonitinha mas ordinária (1983 Dir. Braz Chediak), e A Dama do Lotação (1978 Dir. Neville d´Almeida), são releituras de contos do teatrólogo e cronista Nelson Rodrigues (1912-1980). Claro, as produções amplificaram o teor sexual (o que rendia boas bilheterias, apesar da então vigente Ditadura Militar) dos contos, transformando por exemplo as atrizes Vera Fisher e sobretudo Sonia Braga verdadeiras sexy symbols tropicais.

O interessante nestes contos é como Nelson retrata com acidez a hipocrisia e o falso moralismo presentes sobretudo nas camadas médias de nossa sociedade, em especial ambientada em terras cariocas – cidade adotada pelo pernambucano.

A Ópera do Malandro (BRA-FRA 1985 Dir. Ruy Guerra) é uma adaptação (gênero musical) para o cinema de peça teatral criada pelo compositor Chico Buarque em 1978. A trama que envolve a malandragem carioca, prostitutas, autoridades locais se passa no contexto repressivo do Estado Novo varguista – em meio a entrada do Brasil ao lado dos Aliados na 2º Guerra Mundial.

Dona Flor e seus Dois Maridos (1976 Dir. Bruno Barreto) é uma adaptação do romance do escritor baiano Jorge Amado (1912-2001), publicado em 1966. Por 34 anos foi o filme nacional de maior bilheteria no país, com 10 milhões de espectadores, sendo superado em 2010 no lançamento de Tropa de Elite 2.

A trama se passa na Bahia, e assim como a Ópera do Malandro, também na década de 1940. Indicado na categoria de melhor filme estrangeiro, tornou Sonia Braga uma atriz conhecida internacionalmente.

Enfim, assistam aos filmes, e deixem aqui as suas impressões e análises. Vamos tornar a quarentena uma oportunidade de debate e resgate de nossa cultura nacional, no caso proposto o nosso cinema.

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TIago Menta

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