A ARTE A SERVIÇO DA TRANSFORMAÇÃO

por Roberta Barsotti

A música me salvou a vida inteira e continua me salvando. Participar de grupos de teatro e dança foi o meio para desenvolver minha autoestima, descobrir quem eu sou e o que estou fazendo nesse mundo.

Escrevo essas linhas com profunda gratidão a meus pais por me inserirem no mundo da arte. Por me levarem a concertos, cinema, peças teatrais, exposições, pelos livros de Monteiro Lobato e por ouvirem música boa.

Sem ela, a MÚSICA, eu não teria chegado até aqui!

Palco e plateia me trouxeram a certeza de que não há caminho mais efetivo para a prevenção, o tratamento, a cura, aceitação e a convivência com as doenças mentais e o autoconhecimento.

E foi a vontade de proporcionar aos outros o que recebi da vida que me fez estudar Musicoterapia! E aí vieram as Constelações Sistêmicas e posteriormente a política!

Ah...a política! Essa é uma poderosa ferramenta de transformação social e torço diariamente para que as pessoas utilizem a política ao verdadeiro fim que se destina: transformar, incluir, compartilhar, crescer e dar lugar!

Como artista, terapeuta e vereadora, me veio o presente de poder escrever o Projeto de Lei da Campanha de Cuidado da Saúde Mental - “Janeiro Branco”, aprovado por unanimidade na Câmara Municipal para integrar o Calendário Oficial do Município de Atibaia.

Com a chegada da Era Digital, o excesso e a velocidade das informações do mundo de fantasias criadas pela internet e seus “likes”, o isolamento social dos games, séries, a interação apenas pelo YouTube, podcats, Instagram, Whatsapp, nos faz pensar cada vez mais rápido e nos dá uma sensação de “estar fora” quando passamos algum tempo desconectados, gerando inúmeras consequências em nossas vidas como todos os transtornos de ansiedade, stress, depressão, síndrome do pânico, comportamento suicida, insônia, compulsão alimentar, alcoolismo e muitos transtornos familiares.

Usar a arte como forma de transformação do lugar social da loucura faz parte dos dispositivos implementados pela reforma psiquiátrica pois para cantar, pintar, tocar, compor, dançar, interpretar, desenhar e etc é necessário se entregar ao sentimento, deixar de lado a racionalidade, o medo de ser julgado, as regras da sociedade e provocar reação na sombra e nos conteúdos internos das pessoas que prestigiam essa mesma arte.

Do olhar do artista, ter a oportunidade e o talento estimulado é um presente abençoado. E é algo profundamente solidário dar esse lugar àqueles que só conseguem libertar-se através da projeção no outro.

Parafraseando Nietzsche, "A arte existe para que a realidade não nos destrua".

Nesta seara, penso então que oferecer acesso à arte e à cultura, assim como estimular o autoconhecimento, dar informações sobre doenças mentais e acolher é obrigação do Poder Público! E é nossa obrigação, enquanto cidadão partícipe, inserir nossas crianças, jovens, adultos e idosos no consumo de vivências culturais.

A Arte é um ato de amor a si mesmo e ao próximo. E o direitos é de todos! (Por Roberta Barsotti - musicoterapeuta, consteladora sistêmica, vereadora licenciada e atual secretária de cultura municipal de Atibaia)