POR UMA RESSIGNIFICAÇÃO DA CULTURA

Professor Tiago Menta

O conceito de cultura é amplo, como coloca a análise sociológica “valores, práticas e modos de viver, trabalho e criação, religiosidades, produção intelectual, organização social, técnicas”.  No entanto historicamente consagramos como cultura a música, a literatura, o cinema, o folclore, o teatro, as artes plásticas e a arquitetura.

Assim, há um certo estreitamento das percepções gerais sobre o que é cultura. Como professor, na educação básica, fica claro aperceber-se disso quando indagamos aos educandos ou mesmo solicitamos que definam o que é cultura – as respostas quando não são as mesmas, são estreitamente semelhantes.

 

Aquilo que entendemos por “família” é algo definido sociologicamente, e portanto, culturalmente. O modelo nuclear clássico, pais e filhos, é uma construção social, histórica e cultural. Nos primórdios da vida humana vivíamos em pequenos grupos, com uma baixíssima expectativa de vida, e só era possível estabelecer laços “familiares” pela via materna. Homens e mulheres se inter-relacionavam dentro do grupo, ainda nômade, e só era possível identificar as mães, logo o nosso primeiro modelo familiar era marcadamente matriarcal ou matrilinear. Hoje, claro, a família transformou-se, como a cultura também.

 

A percepção estreitada do que é a cultura, desvinculada do seu caráter histórico (e assim o exemplo da família, do parágrafo anterior), social, teleológico (dar sentido/função às coisas), é, no meu entender uma das razões para que, dentro das políticas institucionalizadas, ela seja tratada como algo secundário – daí a transformação do Ministério em “Secretaria Especial” no presente governo Bolsonaro.

 

Portanto, urge ressignificar o papel formador, identitário, transformador, da cultura. E isso passa, necessariamente, pela educação. É no meio escolar, em uníssono com as famílias, que a correta percepção daquilo que é cultura, ou “bens culturais” pode ser desenvolvido de forma correta, e assim, quem sabe, a cultura será uma demanda social efetiva (um direito concreto) da mesma forma que a saúde, a segurança, educação, habitação, economia.

 

Quinzenalmente, neste espaço, espero contribuir com a construção de uma nova consciência, que possa, uma dia, possibilitar uma “sociedade alternativa”...